Eventual candidatura de Luizianne ao Senado pode ser peso contra a chapa governista
Pesquisa Quaest mostrou a ex-prefeita pontuando bem principalmente entre eleitores de esquerda
Os dados da pesquisa Genial/Quaest sobre a corrida ao Senado no Ceará, divulgados recentemente, mostram um cenário que pode gerar um problema a mais ao comando do grupo governista no Estado. O levantamento aponta o nome da ex-petista Luizianne Lins como o segundo nome mais forte do campo de esquerda e centro-esquerda, atrás apenas de Cid Gomes (PSB).
Luizianne chega a 8% no geral, mas com forte apelo no eleitorado de esquerda lulista e não lulista. Militante histórica deste campo, a ex-prefeita poderia ser considerada para a disputa, não fosse um detalhe político: insatisfeita com os rumos do PT no Estado, ela deixou o partido e se filiou à Rede Sustentabilidade no último período de janela partidária.
Deputada deixou o petismo cuspindo fogo
Filiada ao PT desde o fim da década de 1980, Luizianne Lins construiu uma sólida carreira política, sobretudo em Fortaleza, cidade que geriu por dois mandatos. A relação com o partido, entretanto, teve momentos turbulentos. Em 2004, enfrentou o comando nacional e caciques estaduais que queriam aliança com Inácio Arruda (PCdoB), levou a disputa para o voto dos militantes, venceu internamente e se elegeu prefeita da Capital.
A ascensão de Camilo Santana e seu grupo elevou as tensões a um ponto sem retorno. O ápice foi em 2024, quando a nova hegemonia petista bancou Evandro Leitão como candidato à Prefeitura de Fortaleza, preterindo a própria Luizianne. Os sucessivos desgastes culminaram na saída do partido na última janela partidária, desta vez, sem voltar atrás.
Rede: entre proximidade ideológica e candidatura própria
Mesmo com a proximidade ideológica, a federação entre Rede e Psol já divulgou um pré-candidato ao governo: Jarir Pereira (Psol). Na disputa ao governo do Estado é improvável que o candidato gere dificuldade à hegemonia petista.
Os dados da Quaest mostram, entretanto, que uma candidatura de Luizianne ao Senado seria diferente. Identificada com o petismo e a esquerda, apesar da recente desfiliação, a ex-prefeita tem potencial para tumultuar o ambiente eleitoral.
Impactos na chapa governista
Este cenário seria mais uma dor de cabeça para o comando governista empenhado a contemplar partidos, manter a aliança ampla e formar uma chapa competitiva que seja capaz de ajudar a tarefa de Elmano de ser reeleito.
O recall e a lembrança do eleitorado de que Luizianne é vinculada ao ex-presidente Lula pode dificultar a vida de pelo menos um dos dois candidatos ao Senado na chapa governista.
O risco pode forçar o comando a ter de dialogar com a ex-coreligionária, mesmo ela estando fora da aliança.



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